Aventuras nas Terras Ermas

Diário da Lily

A Campainha do Pântano - Sessão 1



Esgaroth – Março, 2946.

     Tomo este diário para relato de minhas aventuras fora do Condado por influência de meu tio avô, que também encheu meu coração de esperança e coragem. 

     Cheguei há poucos dias em Esgaroth após meses de uma longa e cansativa viagem, que não fora tão proveitosa quanto imaginava, esperava obter mais informações a respeito daquilo que almejo tanto ter em mãos. Esta cidade é peculiarmente estranha para mim, não se vê no Condado outras construções por cima da água senão cais. Imagine então uma cidade inteira! É interessante a diversidade de pessoas que circulam por aqui, seria ótimo encontrar outro Hobbit, talvez a sorte seja bondosa comigo e me conceda tal presente antes da minha partida. 

    Estava em mais um dia normal, observando os Homens do Lago jogarem alguma espécie de jogo de cartas, quando avistei dois Anões da Montanha Solitária indo em direção a uma grande taverna. Isto sem dúvidas atiçou minha curiosidade e o ímpeto de seguí-los foi instantâneo. Consegui que me dissessem o que estava acontecendo, mas fui subjulgada e minha ajuda negada. Felizmente tive auxílio de dois homens que escutaram minha conversa, um deles sendo particularmente simpático. A princípio desconfiei de suas intenções pois não é sensato bisbilhotar conversas que não lhe dizem respeito, mas pelo seus gestos entendi que seus motivos foram nobres como os meus ao oferecer ajuda.

     Os Anões estavam se retirando da taverna quando um dos homens se revelou um elfo e tentou se comunicar em alguma língua que desconheço, mas não obteve sucesso. Fiquei sem saber o que fazer quando vi um homem e um rapaz entrando na taverna e perguntando ao taverneiro se ele tinha visto dois anões. Naquela hora percebi a importância do que estava presenciando e a certeza de que o destino havia nos reunido. Nós três fomos interceder e formamos assim nossa Comitiva. Tendo membros distintos e motivos louváveis resolvemos solicitar uma audiência com Glóin.

     Lomund nos guiou até a residência do agora Embaixador do Reino sob a Montanha em Esgaroth, magnífica e digna de alguém de sua importância, diga-se de passagem. Conseguimos entrar de imediato, o que foi bom pois a frente estava cheia e demoraríamos muito tempo se tivéssemos que esperar. Éohorn não quis entrar, talvez este prefira a companhia de seu cavalo do que de outras pessoas. 

    Nosso primeiro contato com Glóin não foi positivo, ele estava irritado, não tivemos apresentação apropriada e Ainencaitar não foi uma visão tão agradável. De fato todos sabem que Elfos e Anões não se dão, principalmente quando um deles já foi prisioneiro do outro. Estávamos quase sendo expulsos quando a palavra foi dirigida a mim. O Anão achou estranho uma Hobbit tão longe de casa e isso nos levou a uma agradável conversa sobre o Condado, sobre minhas memórias da passagem dele por lá, das histórias que meu tio avô contava para os jovens de Hobbiton e de como todas essas memórias tão boas me trouxeram até aqui. Descobri então que suas visitas ao Condado o fizeram um apreciador de ervas de fumo, dei-lhe como sinal de boa vontade e amizade um pouco da minha Folha Longa, uma das melhores que trouxe de casa. 

     De fato isto foi crucial, pois ao voltar com seu cachimbo trouxe também alguns documentos e nos explicou a missão que teríamos. Eu e Lomund saímos na frente, satisfeitos pelo êxito que tivemos, mas Ainencatar, que tolamente resolveu se demorar e saiu pouco depois de nós com uma expressão um pouco descontente. Expressei minha opinião quanto ao fato de ter sido insensato ele, enquanto Elfo, querer ter sido nosso porta voz em uma audiência com um Anão, mas ele arrogantemente me respondeu que eu ainda precisaria de suas flechas. Talvez se minha performance com o arco e a espada fosse conhecida por ele a resposta teria sido diferente, mas não gosto de me demorar em tais pensamentos nocivos, prefiro pensar que se lhe fosse oferecida uma boa refeição tal mau humor não existiria. 

     Já na residência de Lomund começamos a planejar nossa viagem. Temos sorte de ter um Príncipe Mercador em nossa Comitiva, seu conhecimento a respeito das rotas dá a segurança necessária para a viagem tão traiçoeira e cansativa que nos aguarda, e a vista de sua casa é estonteante. Por fim ficou decidido: Seguiríamos a mesma rota de Balin e seu companheiro na manhã seguinte, tendo esta noite para organizarmos nossas coisas e procurarmos sobre informações da passagem dos mesmos naquela cidade. 

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