Aventuras nas Terras Ermas

A Época do Dragão
Verão de 2946 - Fase da Comitiva - Esgaroth

  • A embarcação da Comitiva finalmente chega ao ancoradouro da Cidade do Lago, onde todos podem ver que estão sendo aguardados por dezenas de pessoas curiosas para conhecerem os novos heróis que retornam de sua Jornada. Enquanto o Mestre de Esgaroth, Glóin, Balin e Óin tomam o rumo do Salão da Cidade do Lago, um dos guardas da cidade informa aos membros do grupo que estarão sendo aguardados para uma reunião.
     
  • Todos resolvem seguir ainda cansados e sujos para saber do que se trata. Mesmo depois de vencerem a multidão afoita e conseguirem adentrar o Salão, a Comitiva encontra-se com muitos nobres da cidade, alguns Homens do Lago e outros Bardings de Valle. Além da presença de uma linda mulher de cabelos negros e olhos claros, Eilif, a filha do Mestre da Cidade do Lago.
     
  • Eilif mostra interesse em conhecer todos os membros da Comitiva, e de forma bem-educada e mantendo todas as formalidades aproxima-se do grupo com cordialidade. Todos sentem percebem que a jovem é muito mais do que apenas uma beleza destoante neste local, sua presença mexe com os sentidos e ações dos homens da Comitiva.
     
  • O Mestre de Esgaroth faz um breve pronunciamento e agradecimento aos membros da Comitiva das Terras Ermas por tudo o que fizeram, além de oferecer sempre os cuidados da cidade e toda sua disponibilidade para recebê-los em audiências especiais como um verdadeiro Patrono faria, o Mestre oferece ainda um título de Cidadão da Cidade do Lago para aqueles que assim desejarem. Isso somente reforça sua predisposição de transformar essa vitória por parte da Comitiva em algo compartilhado por todos em Esgaroth, o que pode ser ou não apenas uma artimanha política.
     
  • A estonteante Eilif inicia uma homenagem aos Anões através de sua maravilhosa voz, ao entoar a Canção de Durin. Mais uma vez todos sentem a esperança preenchendo os espaços mais sombrios de seus corações. Glóin então aproveita para agradecer de uma forma menos simbólica, e ao abrir um pequeno baú oferece um verdadeiro tesouro como recompensa por terem trazido seus irmãos com vida. Ainen nega a recompensa e sugere que seja partilhada pelos outros membros da Comitiva, mas Sigvald faz uma nova proposta, que a quantia seja doada ao Hospital da Cidade do Lago.
     
  • Como neste mesmo ano está sendo programada a Reunião dos Cinco Exércitos na Cidade de Valle, os festivais que normalmente ocorrem em Esgaroth de setembro a dezembro serão adiantados, passando a serem comemorados de maio a agosto, com isso deixando a cidade em polvorosa movimentação, afinal é chegada a Época do Dragão. Hanar e Ginar se despendem da Comitiva e retornam para Erebor.
     
  • Durante os três meses que seguem cada um dos membros da Comitiva se empenham em tarefas mais particulares, mas sem perderem o contato entre si. Todos continuam utilizando da residência de Lomund como base para suas atividades, mas Éohorn e Kori passam a vagar pelas margens do Lago Comprido iniciando um treinamento de combate e também trabalhando nas condições de Frefax, a montaria do Rohirrim. Sigvald fica imerso em livros e tomos antigos em busca de mais informações sobre as ruínas encontradas nos Pântanos Compridos, bem como tudo relacionado ao tesouro dos Pantaneiros. Ainencaitar mantém suas tarefas ao espalhar sua melodia por Esgaroth enquanto passeia entre as tavernas locais. Lily, por sua vez, é a única que aceita o título de Cidadão da Cidade do Lago, o que é uma grande conquista pessoal uma vez que ela passa a ser a única Hobbit do Condado com uma nomeação como esta. Mas para a Hobbit isso não é o suficiente e ela acaba por se colocar de cabeça nas buscas, também em pergaminhos e livros, por mais informações sobre os artefatos mágicos que podem trazer a esperança de volta ao seu povo.
     
  • Depois de quase dois séculos de miséria, os povos das Terras Ermas estão finalmente livres para celebrar festivais de colheita e plantio, normalmente no início da Primavera e no final do Inverno, sem ameaças iminentes. As ruas da Cidade do Lago estão lotadas na maior parte do ano, estão cheias de atividade, especialmente no período que vai de setembro a dezembro, mas desta vez tudo teve que ser adiantado e às pressas, quando muitas sementes são semeadas e os animais são abatidos, e as pessoas das terras vizinhas entram na cidade deixando suas florestas e campos e pastagens para levar seus produtos ao mercado. As festividades da Época do Dragão são repletas de comidas, bebidas, cantorias, com centenas de visitantes na cidade e acampamentos nas terras desmatadas.
     
  • No mês de julho, todos os membros da Comitiva são levados mais uma vez a se encontrarem com os Anões que salvaram e também com o Mestre da Cidade do Lago e sua filha Eilif, que mais uma vez mostra interesse em se aproximar do grupo. Este é o período em que se iniciado o Dia da Flecha Negra e, como costume centenário, haverá uma competição de arquearia na cidade, atraindo dezenas de pessoas, bem como a participação de organizações mais ilustres, como a Guilda dos Arqueiros da Cidade do Lago e os Arqueiros do Rei de Valle. Sigvald é o único que se inscreve para participar da competição, enquanto os demais membros da Comitiva preferem aproveitar das frivolidades do festival com muita comida, bebida e música.
     
  • Ainencaitar conversa com Glóin sobre seu último contato, ainda em Esgaroth, antes de partirem para a missão de resgate. O Elfo explica melhor o que quis dizer com tudo aquilo e acaba citando cada detalhe de sua visão no Espelho de Galadriel e também sobre a presença do Inimigo ainda em Dol Gudur. Os Anões mostram-se preocupados e também falam de suas premonições, aproveitando para sugerir que todos da Comitiva devam estar presentes na Cidade de Valle em novembro para o Conselho do Norte, uma reunião de todos os representantes das Terras Ermas.
     
  • O primeiro dia é marcado com o Disparo na Grinalda, uma das etapas da competição em que os arqueiros visam acertar uma coroa decorada com trepadeiras e flores, pregada a uma grande placa de madeira que está fixada na margem do Lago Comprido. Os competidores precisam se posicionar na ponte da Cidade do Lago, que fica a mais de cinquenta metros de distância dos alvos. Existem muitas torcidas neste dia, principalmente para os grandes grupos envolvidos. Em suas duas etapas, muitos dos arqueiros acabam sendo eliminados, mas outros ainda estão na competição. Sigvald consegue acertar por duas vezes na haste da coroa de flores, marcando assim dois pontos. Runa, a campeã eleita para representar a Guilda dos Arqueiros da Cidade do Lago também consegue dois pontos, enquanto Ingrith, a campeã eleita pelos Arqueiros do Rei de Valle fica em primeiro lugar com seus três pontos.
     
  •  No Disparo no Bastão, no segundo dia de competição, os agricultores mais ricos da área atravessam a ponte em uma procissão de carroças decorados com guirlandas de flores e fitas coloridas, levando o gado selecionado destinado ao abate para alimentação no inverno. Fogueiras são preparadas nos campos, para quando forem acessas à noite, possam iluminar a paisagem, enquanto os moradores jogam os ossos dos animais abatidos nas chamas para a boa sorte (não na cidade em si, pois na Cidade do Lago, por razões óbvias, fogueiras são estritamente proibidas dentro de seus limites).
     
  • A Comitiva mantém sua torcida por Sigvald na competição e parece que a filha do Mestre da Cidade do Lago trouxe mais pessoas para torcer pelo Barding de Valle. Inclusive criando uma situação um pouco constrangedora ao revelar sua descendência dos extintos Homens de Valle. Desta vez, os competidores disparam em uma varinha, um bastão reto medindo entre dois e quatro centímetros de largura. Todos os participantes possuem duas rodadas, mas desta vez um arqueiro deve parar se ele não atingir a varinha na primeira rodada. Um arqueiro que parou mantém os pontos que ele marcou até o momento.
     
  • Nesta fase da competição, Runa acaba ficando para trás e sua pontuação não é o suficiente para prosseguir. Enquanto Ingrith consegue ampliar para seis pontos em sua marca. Lily é a mais empolgada ao torcer por Sigvald, e o som da sua voz é ouvido pelo Barding, mas aparentemente não é o suficiente para que ele consiga fazer sua flecha ao menos arranhar o bastão. Esse é o seu pensamento ao ver que em seu segundo disparo a flecha começa a se afastar do alvo, mas ao ouvir uma voz suave e doce em seus pensamentos que fala algumas palavras em Quenya, o Barding fica espantado ao perceber que a direção da flecha é alterada e a mesma risca o bastão de madeira.
     
  • Sigvald amplia sua marca para três pontos e vai para a final contra Ingrith, mesmo sabendo que foi auxiliado por algo ou alguém, o que não demora muito para se apresentar. Coelhos, cervos e pássaros saem das matas na margem do Lago, além de uma conhecida figura de mantos marrons e chapéu pontudo.
View
Diário da Lily
A Campainha do Pântano - Sessão 4



Esgaroth – Março, 2946.

      O combate com o Troll foi intenso. Nossas flechas não pareciam surtir efeito algum, apenas o machado da jovem Kori parecia causar dor naquela imensa criatura, ela invocou sua majestosa ancestralidade com um sonoro urro e tomou a frente da batalha. Aquele monstro talvez alarmado pela coragem da jovem, conseguiu com sucesso prendê-la em uma espécie de rede de pano sujo de lama. E em um ataque de fúria, o Troll arrancou um arbusto do chão e quase derrubou a nossa linha de frente: os jovens Kori e Éohorn e os dois anões Hanar e Ginar. Por sorte Lomund conseguiu acertar uma flecha na mão da criatura, fazendo-a soltar a jovem, que rapidamente se libertou e saltou para cima do Troll com seu machado com um golpe mortal. A queda de tamanho corpo fez todo o chão estremecer.

     Sigvald achou um ninho de pássaro que caiu do arbusto no meio da nossa batalha. Tal coisa por si só ja era estranha pois não víamos sinais de animais há dias na Floresta das Trevas, imagine então um ninho de um Pescador do Rei ou Halatir, um pássaro muito comum do Condado, de onde eu vim? Sigvald guardou o ninho e foi ajudar Kori a se recuperar, depois disso voltamos a seguir viagem, porém nosso recente esforço na batalha tornou tudo mais lento e doloroso, nossos corpos começaram a sentir o efeito das noites pouco dormidas e do trabalho braçal.

     Os jovens Éohorn e Lomund guiaram o barco enquanto o resto de nós se revezava em descansar e ajudar a remar, mas não duramos muito tempo neste caminho. Algumas horas depois fomos obrigados a deixar o barco pois naquele ponto do rio a quantidade de chorões venerandos era enorme, a ponto daqueles numerosos galhos pararem nossa embarcação. Um pouco mais a frente o rio desaparecia dando lugar a um vasto brejo. Todos despertamos com o barco atolando no lodo.

     Lomund avistou uma segunda embarcação e foi conferir o que tinha acontecido. Por sorte dele a água batia em seu joelho, o que me deixou apreensiva com a possibilidade de sair do barco e ter que andar por ali. Felizmente a jovem Kori veio ao meu auxílio, carregando-me por aquele terreno traiçoeiro, principalmente depois do nosso guia constatar que aquela embarcação era dos Anões que estávamos procurando e que ela havia sido atacada e estava naufragada. Aquele cenário sinistro me fez lembrar do aviso do velho Nerulf.

     Seguimos com dificuldade, pois o terreno era incerto e os pés tendiam a se prender naquele lodo. O local estava muito escuro mas conseguimos ouvir o barulho de vários corvos, levantamos nossas tochas e tivemos a visão de vários Corvogórgonas encurralando e atacando um pequeno pássaro de penagem preta e laranja. Sigvald e eu subimos em uma estrutura de madeira que se encontrava na lateral da árvore enquanto analisávamos a situação e decidíamos o que fazer para resgatar aquela pobre ave. Repentinamente ouvimos Kori gritar em alerta, mas tudo foi muito rápido, dois ramos de liana ágilmente desceram da árvore para nos pegar. Eu rolei para o lado e consegui escapar de seu ataque, mas Sigvald não teve a mesma sorte, foi agarrado pelo pescoço e começou a ser levantado.

     Kori rapidamente atirou sua machadinha conseguindo livrar nosso companheiro do que poderia ter sido sua morte, enquanto Lomund acertou o ramo que havia me atacado. Com aquele pedaço de planta em minhas pernas, levantei-me e enxuguei a testa com um de meus lenços pensando que por muito pouco eu não haveria terminado minha jornada pendurada sem vida naquela árvore. 

      O arremesso da jovem Kori acabou por espantar quase todos os corvos que estavam naquela maldita árvore encurralando o Pescador do Rei de forma que ajudá-lo já não requeria mais acrobacias ou escaladas. Sigvald atirou uma flecha, matando um dos corvogórgonas e, por consequência, libertando o pássaro. E com esta pequena flama de dever cumprido acesa no peito, voltei para cima de Kori e nós continuamos a caminhar até encontrarmos ruínas de algum lugar esquecido pelo tempo.

        Não me tomou muito tempo para reconhecer onde estávamos. Aquelas ruínas já foram uma vila de homens, ponto comumente usado por anões que viessem do Norte e por outras pessoas, normalmente mercadores, interessadas em seguir viagem para o Sul e para o Leste. Mas toda essa glória desapareceu há muito tempo, quando o poder dos Reis do Norte oscilou. A sombra tomou aquela vila de forma rápida e impiedosa e uma vez abandonada, logo foi tragada pelo pântano e caiu em esquecimento. Poucas coisas ainda remetem a tempos áureos: algumas gárgulas, arcos de mármore e um imenso portão de madeira.

        Aquelas malditas aves nos observavam como se fossemos o jantar de mais tarde. Este deve ser o primeiro lugar em que mal ponho os pés, literalmente pois fui carregada por mais um tempo, e já quero me retirar. Passando o primeiro arco já pude ficar no chão sem risco de afogamentos, pensei que este seria um ponto mais tranquilo, mas estava enganada. A estranheza me acertou em cheio naquele momento pois comecei a ouvir um barulho bem ao fundo, bem característico, como um sinete. Olhei para meus companheiros de viagem e percebi que eu não era a única a ouvir um sino tocando no meio de uma ruína abandonada. 

     Estranhamente nesse momento Lomund, Ainencatar e Ginar nos deram as costas e começaram a andar para dentro do lago que havia em nossa frente. Nós os chamamos mas eles não esboçavam reação alguma e caminhavam cada vez mais fundo, seus rostos inexpressivos, em uma espécie de transe. Vendo que chamar não adiantaria, Kori, Sigvald, Hanar e Randur agarraram os 3 e os tiraram da água. Pegamos nossas cordas e os amarramos para que pudessemos seguir em frente sem risco desse incidente se repetir.

      Paramos para descansar e aguardar que parte da Comitiva recobrasse a consciência já dentro das ruínas. A câmara onde nos encontrávamos tinha seis passagens, uma delas era toda ornamentada com pedras preciosas. Usando suas capacidades, Lomund descobriu que os Anões passaram por ali e entraram justamente pelo tal arco decorado. Com uma olhada mais minuciosa percebemos que logo a frente haviam degraus de mármore e mais adiante uma porta, que estava trancada. Também haviam marcas estranhas por todo o lado, o que deixou nosso jovem guia nervoso e apreensivo. 

       Dei uma boa olhada naquela porta e logo soube o que fazer. Peguei minhas ferramentas e sem dificuldade abri a porta para que a Comitiva inteira pudesse passar. Eles entraram com suas tochas e eu tranquei a porta por dentro, para o que quer que tivesse perseguido e atacado Balin e Óin não pudesse entrar. Para minha surpresa não havia mais por onde seguir. Aquela porta dava para uma sala que deveria ter sido uma adega há muito tempo atrás e os dois Anões estavam caídos em um canto. Um deles desmaiado e o outro fraco demais para se levantar e seguir em frente.

        Vendo aquela cena, Randur correu para auxiliar os dois com comida e água. Balin nos pedia desesperadamente para irmos embora o quanto antes, pelo grande risco de sermos todos atacados pelos Pantaneiros, mas um misto de emoções se formou ali, o peso da responsabilidade era imenso. Disse a Balin e Óin que eles deveriam retornar para casa e se recuperar, afinal de contas que utilidade teriam se perdessem a vida? Fora o fato de que Glóin estimava demais por eles para achar uma desonra eles não entregarem o convite ao Senhor das Águias. Sigvald entregou a caixinha de volta para Balin, Kori pegou o desacordado Óin e o colocou no ombro para voltarmos logo para Esgaroth.

        Ao passar pelo arco de volta as ruínas um brilho prendeu minha atenção. Uma singela e delicada moeda de ouro caída no chão alguns metros de distância, meu coração foi preenchido com uma vontade arrebatadora de pegar aquele pequeno tesouro para mim. De certa forma foi por isso que saí do Condado. Mas tais sentimentos não devem ter espaço em meu coração, então com dificuldade me afastei da moeda. Foi então que percebi que não estava sozinha: Lomund e Ginar também estavam tentados. Eu me virei e estava para começar a me juntar a Comitiva quando os dois desapareceram. Essa confusão chamou a atenção da outra parte do grupo, eles viraram confusos para entender o que havia acabado de acontecer. Alertei a eles do acontecido e fomos todos atrás dos dois.

           Seguimos até uma outra sala, Ginar estava de joelhos em uma pilha de moedas de ouro e outros tesouros reluzentes. O brilho bruxuleante era quase místico, mágico. Ele estava fascinado, mal conseguia perceber o cheiro de podridão impregnado naquele cômodo. O Anão parecia quase chorar de felicidade e emoção pela descoberta. Lomund tentou arrastá-lo para fora, mas seu esforço foi em vão, Ginar enfiou as mãos naquele tesouro, enchedo-as com moedas douradas brilhantes. Repentinamente pequenas luzes começaram a piscar por todo o ambiente, foi questão de tempo até percebermos que não eram luzes, e sim vários olhos brilhantes que olhavam e seguiam em nossa direção. Estávamos a beira de sermos atacados por uma horda de Pantaneiros.

        Kori arrancou Ginar do chão e o colocou em seu outro ombro e nós corremos. Saímos das ruínas, chegamos ao pântano mas aquelas criaturas ainda nos seguiam e estavam perto, perigosamente perto. Os Pantaneiros titubearam por um momento pela luz do sol, nos dando um pouco mais de distância, mas a  ameaça de morte ainda era iminente, e no meu caso duplicada pois na tentativa de fugir a chance de me afogar era grande. Comecei a relembrar do Condado, da minha casa, meu pequeno jardim de flores, minha última refeição em casa no meu lindo conjunto de porcelana… Quando algo sobrevoou o céu. Não um mas um bando inteiro de Pescadores do Rei! Audáciosamente aqueles pássaros começaram a atacar as lianas das árvores, fazendo com que abrisse um feixe de luz entre nós e os Pantaneiros, fazendo com que conseguíssemos voltar para a embarcação e seguir de volta para Esgaroth.

     Estávamos assustados e sem fôlego, mas aliviados por escapar naquela situação com vida. Era um pouco difícil seguir contra a maré, mas a vontade de sobreviver nos fez tirar forças de todos os lugares possíveis. Vimos o bando sobrevoando nosso barco e um halatir singelamente pousou na cabeça do dragão. Sigvald entregou o ninho com os ovos que havia achado no combate com o Troll. Os outros pássaros o pegaram e levaram embora e o halatir que havia pousado fez uma referência para ele, em seguida levantou voo. Presenciei ali algo lindo e único. Mas o que vi a frente foi ainda mais surpreendente.

        Poderia ser um pequeno ponto dourado no rio, mas conforme nos aproximávamos vimos aquela bela e majestosa embarcação dourada com a cabeça de cisne na proa e vários outras embarcações menores que a acompanhavam. Acho que foi impossível não sentir esperança naquele momento, onde pudemos por um segundo relaxar e baixar a guarda de todos os perigos que nos cercaram até agora. Impossível não ficar contemplativo diante de tudo o que estava contecendo. O Mestre da Cidade de Esgaroth estava na embarcação dourada, esperando por nós. Glóin estava próximo a ele, emocionado por rever seus amigos tão importantes. Balin e Óin, agora acordado, também se emocionavam com a situação. E assim seguimos escoltados de volta a Cidade do Lago.
 

View
A Comitiva das Terras Ermas
Primavera de 2946 - A Campainha do Pântano - Sessão 4

  • O confronto com o Troll de Pedra mostra-se extremamente intenso. Enquanto a criatura avança rapidamente pelo pântano na direção da Comitiva, com o movimento dos braços ele acaba por derrubar um pequeno ninho de algum tipo de pássaro que estava em um dos arbustos, o que é raro nessa área da Floresta das Trevas, onde o único que parece notar isso é Sigvald. A Comitiva alveja a criatura com suas flechas, ferindo-a razoavelmente antes mesmo dela se aproximar do grupo. Kori é a primeira a tomar a vanguarda, urrando como um urso ela desfere um violento golpe de seu machado contra as costelas do Troll. A Beorning nota que já existem ferimentos antigos na criatura, também de machados, e na altura das pernas.
     
  • As flechas continuam sendo atiradas contra o Troll de Pedra que não mais parece ignorar os ferimentos. Com um movimento rápido, o Troll utiliza de um emarranhado de cânhamo e estopa que carregava consigo, quase como um saco de batatas porém cheio de lama e outras sujeiras do pântano, para enredar a Beorning. Lomund consegue uma flechada certeira na mão da criatura, obrigando-a soltar a rede que prende Kori. O Troll ainda em fúria arranca um dos arbustos do chão e passa a utilizá-lo como uma espécie de clava improvisada, promovendo um ataque em arco ele quase derruba todos que estavam em sua frente. Kori é atingida em cheio, o que para sua sorte acaba por libertá-la da rede de fios que a estava prendendo e apesar da força do golpe da criatura ela continua de pé e lutando. A Beorning passa a empunhar seu machado com as duas mãos e com um salto atinge o Troll no peito, cravando a lâmina de sua arma profundamente na carne enrigecida da criatura que não sobrevive ao poderoso golpe, tombando para trás e quase fazendo o chão estremecer. 
     
  • O grupo tenta se reestabelecer para seguir viagem, mas depois da longa jornada e deste combate alguns dentre os membros da Comitiva acabam sentindo a exaustão se aproximando. Sigvald segue até o ninho que havia visto cair na lama, o retira do chão a tempo de notar que trata-se de um ninho de um pássaro conhecido como Pescador do Rei, ou como os elfos os chamam, Halatir. Enquanto ainda recuperam o fôlego, mesmo à frente da enorme e fétida criatura abatida, todos aguardam o Barding cuidar dos ferimentos da Beorning para então retornarem à embarcação. 
     
  • A viagem segue madrugada a dentro e a proximidade com a Velha Estrada da Floresta é de conhecimento do grupo. Parte da Comitiva tenta descansar enquanto Éohorn e Lomund cuidam do caminho, mas o barco é forçado a uma nova parada, dessa vez não há mais como seguir pela via fluvial que é interrompida por emaranhados de chorões venerandos e muito próximos uns dos outros, que barram a luz do dia até mesmo quando ela é mais intensa. Os galhos pendentes se arrastam na água e as raízes bolorentas afundam no lodo cinzento. O rio desaparece num brejo vasto, sem vento nem correnteza.
     
  • Todos despertam assim que o barco com cabeça de dragão atola no lodo. Lomund é o primeiro a descer e caminha pelo brejo com água até o joelho. O Homem do Lago percebe uma pequena embarcarção afundada no pântano mais à frente, extremamente danificada por algo que lembram garras ou presas. Além disso, Lomund ainda nota que há por todos os lados restos de ossos de animais ou homens.
     
  • A Comitiva segue caminhando com muita dificuldade pelo bosque sombrio. Lily precisa ser carregada nos ombros por Kori. Todos começam a ouvir o crocitar de corvos e apesar do breu no local, com suas tochas em mãos, eles conseguem ver um pequeno pássaro de plumas negras e peito alaranjado sendo forçado a permanecer num dos galhos de uma árvore. Os Corvogórgonas estão atacando o indefeso animal e evitando que ele alce voo. O pássaro é um Halatir da Floresta das Trevas.
     
  • Sigvald e Lily são os mais próximos da árvore e não notam a liana sinistra que serpenteia pelo emarranhado em busca do pescoço dos mesmos, esta é a erva-de-patíbulo que o Velho Nerulf avisou, e por destino ou apenas coincidência a única a perceber a movimentação da estranha planta foi Kori, que em um grito alerta seus companheiros. A Hobbit salta rapidamente para o lado evitando o ataque da planta, mas o Barding acaba preso pelo pescoço e começa a ser puxado para cima. Lomund corta a liana que atacou Lily, enquanto a Beorning arremessa uma machadinha contra o outro "tentáculo" que sustentava Sigvald, libertando-o. O golpe da machadinha contra a árvore espanta a maioria dos corvos, ficando apenas dois para atrás. Sigvald aproveita para atirar com seu arco e mata um dos corvos, permitindo assim que o Halatir voe por sua liberdade.
     
  • Seguindo as orientações do caminho que leva à Velha Estrada, os nove membros da Comitiva se vêm em meio às ruínas de uma antiga cidade que brota do lodo e da lama, feito dedos decepados e dentes quebrados. Colunas solitárias, pequenos arcos de mármore e paredes molhadas, com gárgulas sorridentes que fitam os visitantes inesperados. Lily conhece histórias sobre este local que outrora floresceu como uma vila de Homens, uma parada para os Anões em viagem que partiam das Colinas de Ferro ou que para lá seguiam e também para os mercadores do Sul e do Leste. Quando o poder dos reis do Norte vacilou, a vila foi abandonada e suas ruínas foram tragadas pelos pântanos e pela floresta, juntamente com qualquer vestígio de sua existência.
     
  • Em meio às ruínas, os aventureiros encontram uma lagoa funda e de água escura. Ali as ruínas se destacam mais, como se fosse o lugar onde antes se erguiam os principais edifícios da cidade submersa. Os restos de um grande arco de mármore podem ser vistos na outra margem, sustentando ainda um imenso portão de madeira. As outras paredes do prédio hoje são escombros na lama. No topo das árvores em volta da lagoa, as Corvogórgonas observam os invasores com grande interesse como quem espera silenciosamente que algo sinistro aconteça.
     
  • Das profundezas do lago sombrio é possível ouvir o tilintar lento e delicado de um sinete. Apesar de distante e remoto, o som da Campainha do Pântano mexe com a cabeça de Ainencaitar, Lomund e Ginar que sob o comando da Sombra, através de suas palavras na língua negra, começam a caminhar para dentro da lagoa. Os demais membros evitam que o pior aconteça, porém precisam amarrar e arrastar os três para longe dali. Dentro das ruínas de uma grande construção, o grupo descansa e aguarda que os demais recobrem a consciência. É uma câmara vasta e abobadada, com seis aberturas em arco, três à direita e três à esquerda. A passagem mais distante à direita é maior e tem o arco decorado com pedras multicoloridas. O restante é apenas escuridão e lama.
     
  • Lomund sabe que Balin e Óin passaram por aqui e encontra os rastros dos anões seguindo para o arco de pedras multicoloridas. Para desespero do Homem do Lago, existem outras marcas no chão de pedra, pegadas que lembram Orcs, muitos Orcs. O arco todo decorado leva a um lance breve de degraus de mármore que desce e mergulha na escuridão. No fim da escada, encontra-se uma porta reforçada e desfigurada por marcas de garras. A porta está trancada pelo lado de dentro mas a Hobbit do Condado utiliza de suas gazuas para abrir a fechadura, permitindo que o grupo entre para logo em seguida fechar a porta novamente. Depois da porta fica uma antiga adega, uma sala ampla, de teto baixo, apoiado em colunas atarracadas. Os dois Anões estão em um dos cantos, Balin está muito debilitado e Óin está inconsciente.
     
  • A Comitiva decide retornar o quanto antes para a Cidade do Lago, afinal o estado dos Anões não é dos melhores. Ao deixar a antiga adega e passar novamente pelas ruínas do prédio Lily, Lomund e Ginar avistam um brilho em meio à lama, uma moeda de ouro. Lily e Lomund conseguem vencer o desejo de pegar a moeda mas Ginar é dominado pelo Inimigo mais uma vez e começa a caminhar na direção do pequeno tesouro. Os passos do Anão o levam até uma sinuosa e apertada passagem que se abre de repente numa sala mais ampla e semicircular. O fedor repugnante que impregna cada centímetro do local é quase avassalador. No interior há uma grande caverna natural, a câmara do tesouro dos Pantaneiros. No chão irregular encontra-se uma imensa pilha de moedas de ouro lustrosas e outros objetos brilhantes, como talheres, taças, pratos, lâmpadas e castiçais de prata. O cabedal dos Pantaneiros parece emitir um brilho cálido e bruxuleante, como se o ouro tivesse sido encantado pelas longas ruminações das criaturas gananciosas.
     
  • Ginar cai de joelhos no chão ao avistar o tesouro. Lily corre na direção do Anão mas Lomund acaba sendo mais rápido, agarrando Ginar pelas vestes e o arrastando o mais rápido possível daquele local. Mas não sem antes perceber que o brilho dourado que toma a câmara parece se multiplicar em centenas de reflexos bruxuleantes na escuridão: os olhos de uma horda de Pantaneiros que se arrastam lentamente na direção dos aventureiros, vindos de todos os lados. A moeda de ouro escapa das mãos do Anão e cai quase em câmera lenta no chão de pedra, rolando em direção à passagem sinuosa de onde saem apressadamente diversos Pantaneiros atrás do grupo, enquanto a moeda ainda trepida no chão, para desespero de Ginar.
     
  • Todos correm para fora das ruínas temendo o pior, enquanto são perseguidos até a lagoa profunda.  Vindo do alto das copas das árvores é possível ouvir o barulho das plantas sendo arrancadas pelos bicos de diversos pássaros que fazem com que um feixe de luz do sol passe pelo emarranhado separando a Comitiva da horda de criaturas que avançam em sua direção. Os Pantaneiros param momentaneamente, protegendo seus olhos da luz do sol, enquanto os aventureiros correm na direção da embarcação. Por mais que as criaturas ainda tentem persegui-los, a distância tomada e a vontade transformada em força para os remos retiram a Comitiva do perigo. O Halatir salvo anteriormente pelo grupo pousa na cabeça de dragão do barco e Sigvald devolve seu ninho. O pássaro faz menção de agradecimento e com a ajuda de seus outros companheiros carrega o ninho para longe. O trajeto de volta para Esgaroth é feito contra a correnteza mas a vontade de estar de volta ao seu santuário é o combustível necessário para que cada um vença o cansaço.
     
  • Depois de longos oito dias de viagem de volta, o barco finalmente desponta no Lago Comprido, onde o toque caloroso do sol na face dos membros da Comitiva é o alento para suas almas. A brisa fria da Montanha Solitária não mais é sentida e a luz do sol faz o lago refletir intensamente quase cegando os aventureiros. Depois de abandonarem a escuridão dos pântanos e da floresta, e já sonharem acordados com o conforto de uma boa cama e uma comida saborosa que não seja a ração de viagem, o grupo avista pontos negros no horizonte, pequenas embarcações sendo conduzidas por uma bem maior, com formato de um majestoso cisne e completamente dourada. Este barco navega até bem próximo do grupo, de onde todos podem ver que Glóin, com os olhos marejados, estende os braços para receber seus irmãos. Enquanto que o Mestre da Cidade do Lago passa de uma embarcação para outra, o mesmo quebra todos os protocolos ao cumprimentar membro por membro. Para somente então, olhando cada um nos olhos e ao abrir um enorme sorriso, ele acaba por dizer:

- Sejam bem vindos de volta… Comitiva das Terras Ermas!

View
Diário da Kori
A Campainha do Pântano - Sessão 3

Depois de uma boa noite de sono e comida, Nerulf nos pediu uma caçada como retribuição por sua hospitalidade. Imaginei que iríamos atras de comida, mas encontramos um tipo de erva, chamada Erva da Bruxa, que pela reação dos outros, imagino que seja mesmo algo de valor. A aproximação da Floresta das Trevas é preocupante… não há animais, não há pássaros, e onde os animais não ficam não pode ter boa coisa! Entregamos parte para Nerulf e ficamos com um outro tanto, como combinado.

Nosso barco foi devolvido ao rio e seguimos. Emaranhados de galhos tentaram nos segurar, mas ainda não foi inventado um obstáculo que impeça Kori, a garra do urso de prosseguir uma viagem. Mais uma vez, notamos a ausência dos animais… sinal da necessidade de redobrar a atenção, pois não há ninguém que entenda da natureza como eles.

Ainen teve um sonho quando da divisão dos turnos: uma luz em meio a floresta poderia ser algo importante pra nós, e sua disposição em seguir mesmo que sozinho, fez com que a comitiva decidisse por acompanhá-lo. Éohorn cometeu seu primeiro grande erro em terra firme: ofender o ambiente natural que lhe abriga… as forças da natureza podem sentir o coração do homem, e retribuir o que este lhe deseja… só espero que esta lição não recaia sobre todos nós…

Depois de andarmos um pouco, finalmente uma luz surgiu, e podemos perceber que estávamos cercados. Eram Elfos da Floresta das Trevas, liderados por um Galion, que depois de conversar com Ainen, nos diria onde os anões desaparecidos teriam acampado. Seguindo então rio abaixo, nós o reencontramos em toda sua pompa e descortesia, e nos indicou uma clareira mais à frente: não tinha marcas de batalha; seus sacos de dormir e cobertores ainda estavam preparados e uma fogueira nem tinha sido tocada. Todos procuramos por qualquer indício de como os anões poderiam ter sumido dali, mas foram Sigvald e Lily que notaram algo em um tronco caído. Encontraram uma bonita caixinha escondida, que é guardada por ele enquanto decidimos nos preparar para descansar.

Somos surpreendidos quando, da lagoa, surgem luzinhas, que revelam um enorme Troll de Pedra que segue em nossa direção… seriam as forças da natureza retribuindo as ofensas do senhor dos cavalos? Como alguém pode ser tão próximo de seu animal e tão distante da sabedoria natural?
 

View
Diário da Lily
A Campainha do Pântano - Sessão 3



Esgaroth – Março, 2946.

     Discutimos a respeito do enigma do velho Nerulf enquanto jantávamos. Chegamos a conclusão de que devíamos tomar aquelas palavras como um aviso de cautela, afinal seria muito estranho encontrar patíbulos no pântano. Assim que começou a garoar montamos nosso acampamento e aproveitamos para descansarmos. 

      Na manhã seguinte Kori foi novamente de encontro ao ancião, que pediu uma caça como forma de recompensar a hospitalidade de seu povo. Foi sugerido a participação de todos nós, o que eu discordei prontamente pois boa parte do grupo não tem o perfil e o vigor de um bom caçador, ainda mais em região tão perigosa. Oras, que tipo de ajuda podem oferecer pessoas sem desenvoltura para tal tarefa? Éohorn ainda sugeriu que eu fosse a isca e que se eu conseguisse usar o arco conseguiria caçar. Esse é um bom exemplo prático de como a imaturidade da juventude e a falta de anos vividos podem tornar uma pessoa suscetível a muitos erros de julgamento e atitudes impensadas.

       Quanto mais adentrávamos a floresta, menos vida era sentida e percebida ao nosso redor, mais sombrio aquele lugar se tornava. Felizmente nossa presa não era um animal, afinal, e sim ervas que Sigvald reconheceu como Ervas da Bruxa, que quando transformada em tônico seria de grande ajuda contra os possíveis perigos de nossa viagem. Ao retornarmos para o assentamento, desta vez todos entramos na cabana do ancião e finalmente pude ver melhor sua aparência. Ele já sabia o que encontraríamos, e disse que cada um de nós deveria ter consigo um pouco desta erva. Feita a infusão e devidamente repartida entre nós e o assentamento, nos preparamos para partir já na parte da tarde.

      Os Homens da Floresta foram muito solícitos em nos ajudar a recolocar a embarcação de volta na água. O rapaz dos enigmas nos revelou que viu uma embarcação com dois Anões passando há três ou quatro dias aproximadamente. Isto nos deu mais certeza de nossos planos e confiança para seguir em frente.

        A viagem estava propícia com a correnteza a nosso favor, mas decidirmos que o cuidado nos pântanos deveria ser redobrado, então decidimos tomar o tônico na esperança de que este pudesse afastar o que há de sombrio nessa região. Galhos e raízes mortas começaram a agarrar em nosso barco, mas a força de Kori e o favorecimento da correnteza não nos deixaram para trás. Tudo estava tranquilo até Ainencaitar avisar que estávamos sendo seguidos, nos deixando apreensivos.

    Concordamos que parar e acampar naquelas margem não seria uma possibilidade, principalmente com a densa neblina que estávamos atravessando, e resolvemos descansar em turnos no próprio barco enquanto seguimos viagem. Eu, Kori e Sigvald tentávamos descansar quando fomos acordados pelo Elfo, que disse precisar entrar na floresta do pântano a qualquer custo, determinado a fazer isto sozinho se fosse o caso. Obviamente não toleramos esta ideia, afinal qual o ponto de se formar uma Comitiva e se aventurar em terreno tão perigoso sozinho? E pior, ainda esperar a aprovação de todos quanto a isso.

       A floresta do pântano estava escura, sem qualquer luz externa, com muita neblina. Aquela lama pegajosa e gelada grudava em meus pés e o incomodo era inevitável. Após um tempo de caminhada comecei a reparar que não estávamos sozinhos, vultos se moviam próximo a nós, estava começando a achar nossa ida uma terrível ideia, quando uma lamparina se acendeu, iluminando a ambiente e dissolvendo a névoa. Percebi que os vultos na verdade eram vários Elfos com seus arcos apontados para nós, não havia outra saída a não ser baixarmos as nossas armas.

      O Elfo portador da lamparina conversava com o Ainencaitar em um tom sério que, a princípio não pudermos entender, mas depois de mudarem o idioma para o Westron, descobrimos que os dois são conhecidos e que aquele Elfo tinha sido castigado com aquele posto pelo Rei deles após deixar uma Comitiva de Anões escapar sem querer. Bem que reparei o desgosto em seu olhar ao me ver. Ainda bem que os dois Anões Hanar e Ginar ficaram tomando conta da embarcação.


      Senti-me aliviada por não ter semelhanças físicas e compartilhar o mesmo sobrenome que meu tio avô, se assim fosse as chances de me tornar prisioneira daquele Rei seriam consideráveis. Galion revela que lhe foi ordenado seguir Balin e Óin há alguns dias e que agora nós eramos alvo da mesma ordem, e nos indicou o acampamento dos Anões mais adiante no mesmo caminho que estávamos seguindo.

     Nós realmente o achamos um pouco mais a frente no nosso caminho. Ele foi feito tão as pressas e com tanto descuido que a princípio foi difícil conseguir enxergá-lo. Havia também um grande tronco de árvore podre posicionado ali e Sigvald foi logo examinar. Todos estavam ocupados procurando alguma pista, quando resolvi olhar ao redor e entender o que havia acontecido ali. Minha investigação me levou até o tronco e nele pude ver runas talhadas de forma apressada e desajeitada contendo um encantamento de proteção.

     Chamei Sigvald e mostrei o que tinha acabado de encontrar. Resolvemos chamar Hanar para ler o que estava escrito e ele disse que somente outro Anão poderia passar por aquele encantamento e abrir o esconderijo do tronco. Dentro dele fora revelada uma linda caixinha de jóias de marfim e lindos desenhos de aves gigantes.

      Tomada por muita curiosidade abri a caixa e pude ver um pergaminho com o selo do Rei Dáin para o Rei das Águias, certamente o convite para a reunião que vai acontecer em breve. E enrolado nesse pergaminho um cordão de ouro com uma pedra preciosa pendurada. Assim que coloquei os olhos nela e percebi como ela absorvia e irradiava a luz, tive certeza de que aquele presente fazia parte do tesouro de Smaug, o temido dragão das histórias que tanto ouvi. Um calor encheu meu coração e tive uma súbita vontade de tê-la para mim. Percebendo meus desejos e meu olhar de cobiça Sigvald colocou a mão em meu ombro, trazendo-me para a realidade, fechou a caixa e guardou-a consigo.

     Sigvald comunicou aos outros do nosso achado e disse que seria melhor que a caixa permanecesse fechada para a segurança da Comitiva, concordei imediatamente, afinal se uma rápida olhada me despertou tanta cobiça, imagine se ficasse aberta para nove pessoas olharem? Tenho certeza que todos os membros da Comitiva possuem a bondade em seu coração, mas quantos de nós fraquejariam diante daquele tesouro, como aconteceu comigo?

     Resolvemos aproveitar o acampamento para descansarmos um pouco. Minha cabeça estava cheia de dúvidas… Por que os Anões foram embora e deixaram a caixa para trás? Será que o Rei Thranduil capturou os dois? Foram tantos questionamentos que demorei a ver os fogos-fátuos que surgiam na lagoa para atrair todo tipo de criatura que passava por ali. Considero sorte minha atenção ter sido desperta nesse momento, pois assim pude ver o enorme Troll de Pedra urrando ainda distante, vindo em nossa direção.
 

View
Na Margem do Rio Podre
Primavera de 2946 - A Campainha do Pântano - Sessão 3

  • A Comitiva ainda reflete sobre as palavras do Velho Nerulf enquanto compartilham da fogueira e aproveitam a comida dos Homens da Floresta. Na manhã do dia seguinte um novo encontro se dá entre Kori e o Ancião, onde ele pede que sejam eleitos caçadores para buscarem comida, uma vez que todos da Comitiva aproveitaram de sua hospitalidade na noite anterior. 
     
  • A busca por alimentos nesta região do Pântano é um tanto quanto perigosa e não traz frutos de imediato, pelo menos não da forma como todos imaginavam, uma vez que acabam por encontrar Ervas da Bruxa ao invés de caça. O grupo percebe ainda que quanto mais eles se aproximam da Floresta das Trevas menor é a presença e atuação da natureza, não se escutam cantos de pássaros e nem mesmo o zumbido dos insetos.
     
  • Todos retornam por volta do sol alto e dessa vez, todos têm com o Velho Nerulf, onde o mesmo demonstra já saber o que a Comitiva encontrou. Eles fornecem uma parte das ervas e Sigvald prepara infusões com elas para tomarem antes mesmo de adentrarem a parte mais profunda dos Pântanos Compridos, pois eles sabem da mácula da Sombra.
     
  • A embarcação é colocada no Rio Corrente com ajuda dos mais jovens dentre os Homens da Floresta e a Comitiva finalmente parte para o sul aproveitando da correnteza que nesta época do ano deixa a viagem ainda mais rápida, porém as águas bem frias. Os primeiros obstáculos começam a surgir, inicialmente com emaranhados de galhos mortos ou raízes, mas a navegação segue sem grandes problemas graças à força de Kori. Posteriormente, Ainen percebe que o grupo está sendo seguido e observado.
     
  • O barulho da vazão do rio é comum, mas não tem como não estranhar a falta de animais nesta região, ou mesmo dos seus ruídos característicos. Descansar em terra firma já seria algo complicado, ainda mais dentro de um barco em constante movimento, todo o grupo tem dificuldades para dormir e se dividem em turnos para evitar qualquer tipo de surpresa. Durante seu “sonho élfico” Ainen enxerga uma lamparina se acendendo em meio à noite e à neblina densa desta região, mas o mesmo não sabe dizer exatamente o que seria aquele sinal.
     
  • Ainen decide seguir para terra firme com parte do grupo que já acordara no momento em que a embarcação parou. A opressão destas terras e toda sua desolação começa a mexer com a cabeça dos membros da Comitiva, e Éohorn questiona a real necessidade desta missão, enquanto sonha com suas tranquilas cavalgadas pelas planícies de Rohan. A Comitiva segue caminhando por um curto período de tempo durante a madrugada e em meio à névoa densa do Pântano, até que uma lamparina se acende, dissipando a neblina e revelando ao grupo que eles estão cercados.
     
  • Existem alguns Elfos da Floresta das Trevas espalhados pelo local, usando das árvores como cobertura e apontando seus arcos para a Comitiva, enquanto no centro há um dentre eles que porta uma estranha lamparina, este é Galion, o responsável pela fuga dos Anões e de Bilbo das prisões dos Salões de Thranduil. Ainencaitar é saudado pelo Elfo e ambos iniciam um diálogo ainda em Sindarin. Galion questiona a presença de todos nestas bandas e ainda fala que dias atrás eles estavam seguindo dois anões, Balin e Óin, sob ordens do Rei Élfico, e agora eles. Fala dos vestígios que os tais anões deixaram para trás e diz ainda que se encontrarão mais uma vez onde ele irá mostrar a localização deste acampamento.
     
  • A Comitiva retorna para embarcação e segue mais uma vez viagem rio abaixo até o ponto indicado, o encontro do Rio Corrente com o Rio Podre que desce das Montanhas da Floresta das Trevas. Galion, com sua lamparina já aguarda o grupo na margem oeste do rio e mostra a direção do acampamento dos anões. Um trecho de terra firme, próximo à uma lagoa fedorenta de água estagnada de onde erguem-se muitos caniços.
     
  • O grupo verifica bem o local e nota que não existem rastros ou marcas de batalhas por aqui. Os Anões parecem ter desaparecido ou simplesmente retornaram às pressas para sua embarcação. Sacos de dormir, cobertores e uma fogueira praticamente intacta foi deixada para trás. Enquanto Sigvald verifica o tronco podre que está próximo ao acampamento, Lily nota uma runa anã entalhada apressadamente na madeira retorcida, a Hobbit percebe ainda que se trata de um encantamento que contém um segredo.
     
  • Hanar é chamado por Sigvald e Lily e o mesmo consegue abrir um esconderijo no tronco, onde foi escondido uma linda caixinha de madeira:

    Trata-se de uma caixinha de joias feita de marfim, decorada com elaboradas imagens em baixo relevo de aves majestosas: as Grandes Águias das Montanhas Sombrias. A caixa contém um pergaminho com escrituras e iluminuras, a carta do Rei Dáin para o Rei das Águias. A carta, quando enrolada, é cingida por um belo cordão de ouro torcido, do qual pende uma magnífica pedra preciosa, da cor da neve e do tamanho de um punho pequeno. Ao se abrir a caixa pela primeira vez, a luz ambiente é capturada e multiplicada pelas incontáveis facetas da joia, fazendo a caixa brilhar como se tivesse luz própria. É um presente soberbo, digno de reis.
     
  • Lily sabe que a pedra vem do tesouro de Smaug e, portanto, a maldade do dragão ainda persiste na joia. Ao colocar os olhos sobre nela pela primeira vez, ela sente um desejo ardente que se acende em seu pequenino coração: Ela precisa ter aquele tesouro! Sigvald nota as expressões da Hobbit mudarem repentinamente e aproveita para fechar a caixa enquanto guarda a mesma consigo.
     
  • Todos decidem passar a noite neste local, aproveitando o acampamento de Balin e Óin. Enquanto iniciam as divisões de turnos, eles notam as luzes bruxuleantes que surgem na lagoa de água estagnada, tratam-se de fogos-fátuos, ou velas de cadáveres, que aparentemente atraem todo tipo de animais, quando os mesmos ainda caminhavam por aqui. Mas as tais luzes dessa vez parecem atrair outro tipo de criatura, um vagante Troll de Pedra parece se erguer por detrás dos caniços enquanto caminha lentamente na direção do acampamento da Comitiva.
View
Diário da Lily
A Campainha do Pântano - Sessão 2



Esgaroth – Março, 2946.

     Nossa ida ao cais nos revelou mais do que esperávamos. Encontramos os dois Anões da taverna, Kori Garra do Urso e Sigvald. A Beorning até aquele momento era desconhecida para mim, mas o Barding me é conhecido, é sempre bom ter relações com pessoas inteligentes e de bom gosto. Depois das devidas apresentações ficamos sabendo que compartilhamos o mesmo interesse para com Balin e seu amigo, resolvemos discutir melhor este assunto confortavelmente na taverna. Ironicamente fomos a mesma taverna em que eu, o Elfo e o Cavaleiro nos encontramos. A Junco Dourado realmente faz jus ao nome que possui pela quantidade de detalhes da tal cor em seu interior. 

     Já estabelecidos e com nossos canecos de cerveja em mãos, tive a honra de negociar algumas das boas ervas do Condado com Sigvald e pudemos fumar nossos cachimbos confortavelmente. Como já era de se esperar, tivemos alguns momentos de conflito quanto a diversidade dos membros da Comitiva. Onde há rancor há discórdia, sem dúvidas, isso sem contar o sabido fato de que não devemos esperar total entrega de duas pessoas que nunca se viram. Senti-me no dever de intervir e dizer que aquelas rixas não importavam mais devido ao nosso objetivo em comum. Nenhum de nós possui desejos sombrios no coração para esta jornada.

      Após uma noite de sono agradável na residência de Lomund, saímos para escolher um barco. "Cisne afunda, dragão voa", diante da breve porém verdadeira observação da jovem Kori, preferimos um modelo moderno de barco e começamos nossa viagem pelo Lago Comprido. Com Lomund guiando e a jovem Kori no timoeiro seguimos maravilhosamente bem e nem mesmo a Beorning nos avisando a respeito de um futuro nevoeiro e da possibilidade de chuva aparentava debilitar nosso trajeto futuro. 

     Ao chegarmos a Escadaria de Girion, tivemos que puxar a embarcação para evitarmos a queda d'agua, o que teria sido quase impossível sem a jovem Kori no grupo. Tudo corria bem, até notarmos a presença de um acampamento desconhecido. Lomund quis nos tranquilizar dizendo ser dos Homens da Floresta, mas não acho sensato se basear em suposições fora da cidade. Sendo assim nós dois fomos escondidos verificar quem seriam os responsáveis pelas fogueiras e, foi um grande alívio constatar que a suspeita de meu companheiro era verdadeira.

     Decidimos nos apresentar de forma amigável e cordial com a intenção de partilharmos o mesmo espaço para acampar, pois Lomund já havia nos avisado de que aquele ponto seria a última localidade onde poderíamos descansar uma noite completa. Fomos recebidos com desconfiança, mas nessa parte em questão acredito que tenho considerável parcela de culpa, afinal eles nunca viram um Hobbit.

     Kori foi a única que recebeu permissão para ter com o ancião daquele povo, o velho Nerulf, enquanto todos nós ficamos do lado de fora sob os olhares atentos e pouco amigáveis dos Homens da Floresta. Apesar de mulheres e crianças estarem se escondendo de nós, um rapaz teve a coragem de vir até nós e pedir por histórias e enigmas. Foi uma boa distração para mim e para Sigvald, até a jovem Kori retornar com palavras enigmáticas. 

View
Diário da Kori
A Campainha do Pântano - Sessão 2

Então se passaram cinco anos desde que meus pais morreram na Batalha dos Cinco Exércitos. Sempre serei grata à Beorn e meu povo, por terem me abrigado e cuidado de mim durante este tempo, mas já é hora de deixar o passado em paz e seguir rumo ao futuro para descobrir o que o mundo me reserva…

Depois de um tempo de viagem, Esgaroth foi meu primeiro contato com as terras além dos territórios beornings. Logo na chegada já fui recebida por um cardume de trutas… é como acredito: se há bondade no coração do homem, o coração do animal se alegra… parece uma cidade grande e movimentada… um tanto assustador… muito barulho e água… por todos os lados. Até outros beornings encontrei por aqui! Não pude deixar de perceber que falavam sobre o desaparecimento de dois anões; e um eles seria Balin, um herói da Batalha dos Cinco Exércitos. O mais velho deles conhecia meu pai… e ao falar sobre sua bravura na Batalha, me lembrou que tinha que fazer a minha parte: não podia deixar um herói desaparecido desta forma… eu teria feito o mesmo pelo meu pai, se estivesse vivo. Então me informei sobre esta comitiva que buscaria informação sobre o paradeiro dos anões e segui para o Junco Dourado.

Logo que cheguei aproveitei pra encher a barriga e tomar uma boa cerveja… não demorou muito para eu identificar os anões: Hanar e Ginar; e para minha surpresa Sigvald estava com eles: justamente a pessoa que veio me entregar a Garra do Urso há cinco anos, a adaga que pertencia ao meu pai e representava toda sua honra e valentia… só podia ser o espírito-urso dando um sinal que meu caminho estava correto. Com as informações que os anões já tinham, fomos perguntar sobre o aluguel das embarcações no ancoradouro, que seriam liberadas apenas pela manhã. Um ótima oportunidade de fazer uma boa refeição e dormir em uma boa cama antes de partir.

Quando encontramos o restante das pessoas que seguiriam nesta busca, resolvemos que formar apenas um grupo seria melhor à todos. Apesar de preferir me virar sozinha, como os ursos, aprendi neste tempo em casa, como o trabalho em grupo pode facilitar a vida em alguns casos. E meio à contragosto segui com todos para a casa de Lomund, um dos homens da recém formada Comitiva. Apesar de não confiar em nenhum deles, Sigvald me aconselhou a seguir, e ele sempre me pareceu uma pessoa correta, com um coração bom.

Pela manhã, escolhemos um barco com uma grande cabeça de dragão… penso que um urso ficaria mais imponente, mas este deve servir… Segui no timoeiro, já prevendo névoa e uma possível garoa, mas nada que fosse nos atrapalhar por enquanto. Ao chegar ao ponto de transposição do barco, a força conjunta já se mostrou uma boa ideia, pois foi necessário empurrar o barco até outro ponto e apenas um de nós dificilmente teria conseguido.

Seguimos em direção às fogueiras que vimos à distância, acreditando que poderia ser um assentamento de Homens da Floresta… mas sem saber exatamente se isso seria uma boa notícia, levando em consideração a variedade de pessoas que formavam nosso grupo. Já esperava conversar com o líder, que seria quem poderia permitir nossa permanência, mas ter que falar com ele sozinha e por todo o grupo me assustou um pouco…

O mais velho no assentamento era Nerulf, que me recebeu em sua cabana, enquanto os outros esperavam do lado de fora. Seus anos de vida equivaliam à sua sabedoria… e ele disse muitas coisas que eu não pude entender, dentre elas, um aviso sobre nossa jornada: "Viajante que segue rio abaixo, o brejo pede escrúpulo. Tema a erva-de-patíbulo, cautela ao andar no pântano". Mas o que mais fez sentido pra mim foi ter tomado por minha, a responsabilidade pelos outros. Pessoas que não conheço, que não sei do que são capazes... mas recusar esta tarefa, neste momento, poderia se tornar o primeiro grande problema em minha jornada. E Nerulf nos consentiu então sua hospitalidade.

View
A Estrada é Longa e Cansativa
Primavera de 2946 - A Campainha do Pântano - Sessão 2

  • Kori chega até o Lago Comprido por uma das muitas estradas que poderiam ter trazido ela até este local. Enquanto atravessa o longo passadiço de madeira que conecta o chão firme com Esgaroth, a Beorning se vê acompanhada por um cardume de trutas que parecem demonstrar um certo interesse na jovem ou apenas por mera curiosidade. Os peixes se afastam rapidamente conforme Kori avança em seu caminho, muitos barcos e gaivotas são avistados, além da ossada do grande verme. 
     
  • A área comercial da Cidade do Lago é um caos e repleta de um exotismo sem fim. A Beorning tenta se situar em meio ao movimento constante de pessoas de todos os tipos, e claro, com a sensação estranha de estar caminhando por cima da água. Os olhos da jovem são atraídos por um pequeno grupo de outros de sua cultura que passavam pelo local, trazendo uma felicidade momentânea ao rever seus semelhantes.
     
  • A jovem do Vale do Anduin escuta uma conversa sobre o desaparecimento de dois Anões, um deles sendo o próprio Balin, o Conselheiro do Rei sob a Montanha e herói da Batalha dos Cinco Exércitos. Os Beornings falam de outros dois Anões que pretendem formar uma Comitiva, que parecem estar hospedados no Junco Dourado, para seguir em busca dos desaparecidos. O mais velho dos Beornings reconhece a adaga que Kori carrega consigo e fala sobre as bravuras de seu pai. A Garra do Urso segue em direção à taverna. 
     
  • Sigvald conhece muito bem a Cidade do Lago e rapidamente se familiariza com a mesma. Seus negócios na cidade envolvem mais do que apenas a busca por ervas de fumo, como também a descoberta por novos conhecimentos e segredos. O Barding observa a Casa Grande, bem como as outras suntuosas residências próximas e acaba por esbarrar com dois Anões bem apressados, Hanar e Ginar. O acaso lhe joga de cabeça nas histórias que rondam Esgaroth, sobre Anões desaparecidos, corvos falantes e outros rumores. Os três decidem por conversar melhor com uma boa cerveja e um lugar para se sentar no Junco Dourado. 
     
  • Kori nota a chegada dos Anões à taverna e segue para mesa deles já com seu caneco de cerveja. Sigvald reconhece a Beorning, apesar de terem se passado alguns anos, ela é a criança para quem o Barding entregou a adaga do guerreiro Einarr, um valoroso combatente que lutou na Batalha dos Cinco Exércitos. Hanar e Ginar falam da missão do Anão Glóin, que procura por aventureiros que partam em busca de Balin e seu companheiro, além de citarem a formação de uma outra Comitiva com os mesmos objetivos. 
     
  • A Beorning, o Barding e os dois Anões seguem em busca de informações sobre o aluguel das embarcações na região dos ancoradouros, sabendo que a documentação fornecida por Glóin tornaria tudo mais rápido. No trânsito para o local, já no cair da noite, Sigvald vê no topo dos telhados um corvo maior que os mais comuns mas não de herança nobre. A ave de rapina tem as plumas negras mas com um brilho em tom esverdeado e olha diretamente para o Barding, que por sua vez é capaz de ver chamas ardendo em seus olhos. A visão de Sigvald o leva até um local sombrio e com muitas árvores retorcidas de onde muitos destes Corvogórgonas observam e crocitam. Há uma água enegrecida e fétida na altura de seus joelhos e em meio à tudo isso, uma voz sinistra profere algo numa Língua Negra em seus ouvidos enquanto ele é capaz de ouvir um sinete tocar bem distante.
     
  • As embarcações para aluguel são liberadas apenas pela manhã, e todos resolvem por retornar para taverna. Eles encontram com a outra Comitiva e negociam a possibilidade de formarem apenas um único grupo, já que compartilham dos mesmos interesses. Apesar de certas insatisfações, todos chegam a um consenso e então Sigvald se vê mais tranquilo para negociar seus interesses, as ervas de fumo do Condado, com sua velha conhecida Lily. 
     
  • A reunião da Comitiva, agora realmente formada e composta por nove membros (Ainencaitar, Éohorn, Ginar, Hanar, Kori, Lily, Lomund, Randur e Sigvald), se dá na casa de Lomund e todos confraternizam, na medida do possível, com muita comida e bebida, além do fumo. Todos partem pela manhã em busca da embarcação e apresentam seus documentos aos Homens do Lago que liberam três tipos de esquifes de madeira e fundo redondo. A Comitiva decide pela maior delas e fogem do tradicional, iniciando sua jornada num belo barco com uma enorme cabeça de dragão em sua proa.
     
  • Lomund se mantém por perto para guiar o caminho pelo Lago Comprido, enquanto Kori assume como timoeiro, mas a viagem inicialmente se mostra algo bem intuitivo. A Beorning fala do nevoeiro que podem pegar na chegada aos Pântanos Compridos e de uma possível garoa que ela consegue farejar. O primeiro dia transcorre facilmente e a Comitiva chega, no período da noite, nas Escadarias de Girion. Neste ponto é necessário fazer a transposição da embarcação entre os rios para se evitar a queda d'água. Kori e Lomund avistam fogueiras à distância, e o Príncipe Mercador acredita ser um assentamento de Homens da Floresta. 
     
  • Mesmo depois de remarem por todo o trajeto, os membros da Comitiva se vêem obrigados a empurrar a embarcação para fora do rio, deixando-os ainda mais exaustos. A Beorning usa de sua força descomunal para puxar a embarcação pelos molhes de madeira e pelas ranhuras escavadas na trilha. Lily e Lomund se esgueiram até as fogueiras do acampamento e confirmam se tratarem de Homens da Floresta. Todos decidem por se apresentarem de forma pacífica. 
     
  • A chegada da Comitiva nas proximidades das cabanas chamam a atenção não somente dos homens e mulheres, mas também das crianças. Um grupo de homens se apresentam rapidamente ao grupo e questionam sobre seus interesses nestas terras. Um dos Homens da Floresta, o mais velho dentre estes, comunica que apenas o Velho Nerulf poderia liberar a permanência da Comitiva neste local, enquanto o mais jovem dentre estes, indaga avidamente  sobre contos e canções. 
     
  • Como os Beornings possuem uma boa relação com os Homens da Floresta, Kori é a única que recebe permissão para adentrar a cabana do Velho Nerulf, enquanto os demais aguardam do lado de fora sob os olhares dos guerreiros do Norte. O mais jovem ainda questiona sobre as histórias que a Comitiva poderia contar, e inicia um joguete de charadas com a Hobbit Lily, que parece deixá-lo bastante confuso. No interior da cabana, o decrépito homem conversa com Kori sobre quem ela é, e por sua responsabilidade para com o grupo. O diálogo se dá de forma enigmática e o Velho Nerulf ainda alerta a jovem Beorning, com rimas de sua tradição, quanto a sua jornada:

    - Viajante que segue rio abaixo, o brejo pede escrúpulo. Tema a erva-de-patíbulo, cautela ao andar no pântano.
View
Diário da Lily
A Campainha do Pântano - Sessão 1



Esgaroth – Março, 2946.

     Tomo este diário para relato de minhas aventuras fora do Condado por influência de meu tio avô, que também encheu meu coração de esperança e coragem. 

     Cheguei há poucos dias em Esgaroth após meses de uma longa e cansativa viagem, que não fora tão proveitosa quanto imaginava, esperava obter mais informações a respeito daquilo que almejo tanto ter em mãos. Esta cidade é peculiarmente estranha para mim, não se vê no Condado outras construções por cima da água senão cais. Imagine então uma cidade inteira! É interessante a diversidade de pessoas que circulam por aqui, seria ótimo encontrar outro Hobbit, talvez a sorte seja bondosa comigo e me conceda tal presente antes da minha partida. 

    Estava em mais um dia normal, observando os Homens do Lago jogarem alguma espécie de jogo de cartas, quando avistei dois Anões da Montanha Solitária indo em direção a uma grande taverna. Isto sem dúvidas atiçou minha curiosidade e o ímpeto de seguí-los foi instantâneo. Consegui que me dissessem o que estava acontecendo, mas fui subjulgada e minha ajuda negada. Felizmente tive auxílio de dois homens que escutaram minha conversa, um deles sendo particularmente simpático. A princípio desconfiei de suas intenções pois não é sensato bisbilhotar conversas que não lhe dizem respeito, mas pelo seus gestos entendi que seus motivos foram nobres como os meus ao oferecer ajuda.

     Os Anões estavam se retirando da taverna quando um dos homens se revelou um elfo e tentou se comunicar em alguma língua que desconheço, mas não obteve sucesso. Fiquei sem saber o que fazer quando vi um homem e um rapaz entrando na taverna e perguntando ao taverneiro se ele tinha visto dois anões. Naquela hora percebi a importância do que estava presenciando e a certeza de que o destino havia nos reunido. Nós três fomos interceder e formamos assim nossa Comitiva. Tendo membros distintos e motivos louváveis resolvemos solicitar uma audiência com Glóin.

     Lomund nos guiou até a residência do agora Embaixador do Reino sob a Montanha em Esgaroth, magnífica e digna de alguém de sua importância, diga-se de passagem. Conseguimos entrar de imediato, o que foi bom pois a frente estava cheia e demoraríamos muito tempo se tivéssemos que esperar. Éohorn não quis entrar, talvez este prefira a companhia de seu cavalo do que de outras pessoas. 

    Nosso primeiro contato com Glóin não foi positivo, ele estava irritado, não tivemos apresentação apropriada e Ainencaitar não foi uma visão tão agradável. De fato todos sabem que Elfos e Anões não se dão, principalmente quando um deles já foi prisioneiro do outro. Estávamos quase sendo expulsos quando a palavra foi dirigida a mim. O Anão achou estranho uma Hobbit tão longe de casa e isso nos levou a uma agradável conversa sobre o Condado, sobre minhas memórias da passagem dele por lá, das histórias que meu tio avô contava para os jovens de Hobbiton e de como todas essas memórias tão boas me trouxeram até aqui. Descobri então que suas visitas ao Condado o fizeram um apreciador de ervas de fumo, dei-lhe como sinal de boa vontade e amizade um pouco da minha Folha Longa, uma das melhores que trouxe de casa. 

     De fato isto foi crucial, pois ao voltar com seu cachimbo trouxe também alguns documentos e nos explicou a missão que teríamos. Eu e Lomund saímos na frente, satisfeitos pelo êxito que tivemos, mas Ainencatar, que tolamente resolveu se demorar e saiu pouco depois de nós com uma expressão um pouco descontente. Expressei minha opinião quanto ao fato de ter sido insensato ele, enquanto Elfo, querer ter sido nosso porta voz em uma audiência com um Anão, mas ele arrogantemente me respondeu que eu ainda precisaria de suas flechas. Talvez se minha performance com o arco e a espada fosse conhecida por ele a resposta teria sido diferente, mas não gosto de me demorar em tais pensamentos nocivos, prefiro pensar que se lhe fosse oferecida uma boa refeição tal mau humor não existiria. 

     Já na residência de Lomund começamos a planejar nossa viagem. Temos sorte de ter um Príncipe Mercador em nossa Comitiva, seu conhecimento a respeito das rotas dá a segurança necessária para a viagem tão traiçoeira e cansativa que nos aguarda, e a vista de sua casa é estonteante. Por fim ficou decidido: Seguiríamos a mesma rota de Balin e seu companheiro na manhã seguinte, tendo esta noite para organizarmos nossas coisas e procurarmos sobre informações da passagem dos mesmos naquela cidade. 

View

I'm sorry, but we no longer support this web browser. Please upgrade your browser or install Chrome or Firefox to enjoy the full functionality of this site.